segunda-feira, 19 de setembro de 2011

A volta das séries que não foram

Pessoal, estamos em “open season”, vamos à caça das novas temporadas dos nossos amados seriados. E de novas séries pra ocupar o lugar das que tiveram fim ou foram canceladas.
E começando pelas novas séries, só entre esse mês e novembro, estão marcadas 28 estreias, entre elas a sitcom New Girl – estrelada pela linda Zooey Deschanel – e Charlie’s Angels, reboot da conhecida série (que depois virou filme) As Panteras. Nem todas essas vão vingar, sendo canceladas mesmo ao fim da primeira temporada, por isso, às vezes é bom só começar a assistir depois da série ser renovada.
Hoje estreia a sétima temporada de How I met your Mother, com episódio especial de 1 hora. Hoje também tem início a 10ª, e mais polêmica temporada de Two and a Half Men, com Ashton Kutscher “substituindo” o ainda mais polêmico Charlie Sheen. Os fãs aguardam ansiosamente, e muitos já torcem o nariz antecipadamente. E amanhã, começa a terceira temporada de Glee.
Corre gente, que tá começando a nova temporada!
No dia 21, quarta-feira, começa a 12ª temporada de C.S.I. (Estou chocada em ver quanto tempo tem durado esse seriado, mas é realmente muito bom.)
A quinta-feira é o dia mais concorrido dos seriados. Geralmente reservado para os que tem mais audiência, é meio que o dia nobre da TV paga. Tantos nos Estados Unidos quanto nos canais nacionais. Portanto, nessa quinta, dia 22, as estreias de The Big Bang Theory (5ª temporada), The Office (8ª temporada), e a ainda pouco conhecida Community, já na 3ª temporada.
Atenção:
  • As datas de estreia anunciadas nesse post são as da TV americana. Para saber datas de novas temporadas nos canais nacionais, procure os sites oficiais.
  • Clique nos títulos das séries para saber mais informações ou vídeos promocionais sobre elas, em sites especializados.
  • Lembro-lhes que sou mera apreciadora razoável de alguns seriados, se esse post contiver alguma informação errada, por favor nos informem.

Larissa Ludiana

domingo, 11 de setembro de 2011

Cultura Cinematográfica - Dogma

Imagine o seguinte: Jesus Cristo não morreu na cruz... (Calma, não estou começando nenhuma heresia. Já existem historiadores sérios trabalhando sobre isso.) Continuando... Teve filhos e, consequentemente, gerou descendentes...

Cristo Camarada

O último descendente de Cristo na Terra é uma mulher... Logicamente, não faz a menor idéia disso. Trabalha em uma clínica de aborto. Paralelamente a isso, dois anjos caídos (Ben Affleck e Matt Damon, que haviam acabado de ganhar o Oscar por Gênio Indomável), que foram expulsos do Paraíso, tentam escapar desta punição que Deus deu a eles... Mas isso, vai acabar provando que Ele não é infalível e acabará com toda a humanidade. O Céu vai tentar impedir e o Inferno vai tentar tirar proveito da situação.

No meio desta bagunça, dessa luta entre o Bem e o Mal, Bethany Sloane (Linda Fiorentino, de Homens de Preto) é a única pessoa que pode salvar o Mundo.

Imagina o que ela vai encontrar



Dentro deste contexto, Kevin Smith (de O Balconista, Barrados no Shopping e Procura-se Amy), um dos maiores diretores da atualidade, faz uma sátira a quase todos os dogmas da Igreja, na hilariante comédia DOGMA.

Inclua-se aí um apóstolo negro (Chris Rock), o décimo terceiro apóstolo de Jesus, que foi "esquecido" da Bíblia Canônica por ser negro... Os anjos que foram condenados a lugar pior que o Inferno e dois malucos que são os únicos - os Profetas - que podem ajudá-la nesta tarefa (Jay e Silent Bob, interpretados por Jason Mewes e o próprio Kevin Smith e que são personagens de outros filmes do diretor). E uma Musa Inspiradora (Salma Hayek).

Apóstolo, Profetas e Descendente de Jesus



Quanto ao filme, o roteiro e a direção são excelentes... Cada fala tem um sentido (teológico até) que nos faz pensar durante alguns dias, meses e mesmo anos (como é o meu caso). A atuação é um caso à parte, pois inclui atores respeitados como Ben Affleck, Matt Damon, Salma Hayek, Alan Rickman, Chris Rock... Todos em um relativo começo de carreira. E com uma participação, pra lá de especial de Alanis Morissette. Você pode vê-lo como um besteirol, uma comédia muito inteligente (que é o que eu prefiro) ou mesmo como um debate teológico profundo (o que ele faz). Mas ele vai te dar algumas respostas com muito bom humor a perguntas que temos um certo receio de fazer.


Assistam sem nenhum preconceito... Não se deixem levar pelos dogmas que ficam na nossa cabeça... Depois me digam...



É isso! E um bom resto de final-de-semana.

Ricard Wolney

quinta-feira, 1 de setembro de 2011

CINEMA 2011 - Piratas do Caribe 3: No Fim do Mundo

Depois de algum tempo, estou de volta.

Não era tão bonitinho assim, não

Desculpem, mas tinha até alguns planos para este final de semana: domingo foi o Dia do Bancário e, como um representante da categoria, eu faria um post... Ainda não sabia sobre que filme, mas iria fazer. Depois tinha o Cinema 2011, que foi na segunda, com o Piratas do Caribe3... Mas fui pego de surpresa por uma praga (quase um terrorista) que apareceu lá em casa: Um Rato. Pense numa coisa chata de se lidar, é com um rato...

Pois é, teve um rato. E vou fazer um post também sobre isso. Vocês vão ver.


Peense num monstro de responsa é esse Kraken!

Então, lá vai. Piratas do Caribe 3 mostra onde foi parar Jack Sparrow no final do segundo filme quando ele e seu barco (o Peróla Negra) foi engolido pelo Kraken. Will Turner e Elizabeth Swann partem, então à sua procura até o Fim do Mundo do título, pois um Lorde britânico está de posse do Holandês Voador (grande navio fantasma com poderes mágicos) que passa a procurar piratas ao redor do mundo para matá-los. Os Nove Lordes da Corte da Irmandade dos Piratas precisa se reunir para tentar parar o barco. E falta o Jack, e seu Peróla Negra, que são os únicos capazes de parar o Holandês Voador.

Faltava!

O filme em si, é bom e ruim ao mesmo tempo. Ótimo no sentido de novas cenas totalmente frenéticas, aceleradas e com efeitos espetaculares. Mas completamente sem um coração, sem uma alma. Os efeitos especiais e a maquiagem do filme estão excelentes e foram reconhecidas pela indicação ao Oscar em suas categorias. O filme é, realmente, lindo e divertido. Por outro lado os atores atuam como se estivessem ali à força. Johnny Depp e Geoffrey Rush estão caricaturais. Não consigo acreditar em Orlando Bloom e Keira Knightley. Que diferença do primeiro filme, que tinha um frescor inovador, um senso de humor bem próprio, com cenas que serão lembradas até bem longe no imaginário cinematográfico.

Equipe unida

É isso!

Foi mais um.
Segue a lista (agora foram oito - faltam 19):

HOMEM DE FERRO - Ok - 04/04
JOGO DE AMOR EM LAS VEGAS - Ok - 11/04
HANCOCK - Ok - 02/05
A LENDA DO TESOURO PERDIDO: O LIVRO DOS SEGREDOS - Ok - 16/05
CÓDIGO DE CONDUTA - Ok - 23/05
TROVÃO TROPICAL - Ok - 13/06
ZOHAN: O AGENTE BOM DE CORTE - Ok - 01/08
PIRATAS DO CARIBE 3: NO FIM DO MUNDO - Ok - 29/09
MISSÃO BABILÔNIA
O DIA EM QUE A TERRA PAROU
O GRANDE DAVE
HIGH SCHOOL MUSICAL 3: ÚLTIMO ANO
KUNG FU PANDA
A BELA E A FERA
RATATOUILLE
MADAGASCAR 2
SE EU FOSSE VOCÊ 2
A MULHER INVISÍVEL
OS NORMAIS 2 - A NOITE MAIS MALUCA DE TODAS
O CAÇADOR DE PIPAS
VICKY CRISTINA BARCELONA
AS DUAS FACES DA LEI
FOI APENAS UM SONHO
AUSTRÁLIA
AS CRÔNICAS DE NÁRNIA: PRÍNCIPE CASPIAN
GUERRA AO TERROR
MARLEY E EU

Ricard Wolney

P.S.: A Globo já vai passar filme ruim de novo: um tal de Primitivo no Supercine deste sábado-03/08. Enquanto isso os filmes bons: Ônibus 174 no domingo-04 às 23h10 e Sra. Henderson Apresenta de domingo para segunda às 01h05. Os dois valem a pena. Vejam.

quarta-feira, 31 de agosto de 2011

A Saga dos Créditos não Vistos

Quando fui ao cinema ver Capitão América, me deparei com uma cena já comum nos cinemas, senão brasileiros, ao menos nordestinos. Ao menos 90% da plateia sai da sala durante a última cena do filme (ênfase no durante). O que esse pessoal não sabe é que existe a grande possibilidade de estarem perdendo algumas cenas, curtas sim, mas explicativas, conclusivas ou que puxem uma possível continuação. Esse é o mais importante motivo, mas não o único. Os editores de arte costumam trabalhar duro em cada detalhe do filme - inclusive nos créditos. Fazendo créditos animados, que também contam - a seu modo - um pouco da história do filme. Ou até mesmo cenas engraçadas, deletadas, clipes e erros de gravação. Aquele monte de coisas divertidas que você só vai poder ver novamente no DVD (aquele original, ok?).
Sherlock Holmes por exemplo, créditos lindos de se ver.
Além disso existe o motivo principal dos créditos existirem, que é, obviamente, dar crédito a quem trabalhou no filme. Depois você vai ficar batendo a cabeça na parede tentando lembrar o nome da bendita atriz daquele filme pra contar pros seus amigos, e não vai saber. Ou pode se surpreender com pessoas que você nem suspeitava que estavam ali.
Sofia Coppola e Keira Knightley em Star Wars e você não sabia
Ainda por cima você vai evitar aquele tumulto básico e sair na maior tranquilidade.
E agora, a cartada final: você pagou pelo filme todo, pela exibição completa do filme - por que sempre tem um engraçadinho (eu) que quer ficar até o fim - e vai jogar dinheiro fora assistindo só uma parte?
Então é isso, lanço agora o desafio: fique na sala de cinema até o fim dos créditos. Vocês ganharão... Apenas o prazer de se sentirem mais cinéfilos. Ah, não esqueçam de fazer aquela cara de quem conhece todo mundo que está sendo citado.
Larissa Ludiana

domingo, 28 de agosto de 2011

Top Five - O Cinema Vê o Futuro

Eu não poderia deixar de citar isso logo que li. Tenho a assinatura da revista Aventuras Na História. E a deste mês vem com uma lista de filmes que falam da relação entre cinema, história e futuro. Vou reproduzi-la aqui, afinal o que é bom é para ser conhecido. O site da revista é http://guiadoestudante.abril.com.br/estudar/historia/. Quem quiser ler mais alguma coisa entra lá, mas a matéria está na revista deste mês que chegou nas mãos dos assinantes ontem.

O cinema bebeu na literatura de ficção científica desde a sua origem. O clássico Viagem à Lua, de 1902, é saudado como um dos primeiros filmes com narrativa estruturada, que conta uma história com começo, meio e fim. Em mais de um século de tentativas, algumas predições se mostraram acertadas e outras nem tanto.

Top 5 - Viagem à Lua (1902) - George Meliès

 Livremente baseado na obra de Júlio Verne, Viagem à Lua, de 14 minutos, foi o primeiro blockbuster da história do cinema. Conta a aventura de um grupo que vai à Lua numa nave disparada de um canhão, encontra uma civilização de seres verdes saltitantes (o filme tinha uma versão colorizada) e volta à Terra.

  


 
Acerto: O homem chegaria à Lua 67 anos depois.
Erros: Não previu os foguetes. Os seres verdes continuam escondidos.


Top 4 - Metrópolis (1927) - Fritz Lang

 Metrópolis é uma cidade dividida entre os dirigentes e a classe operária, que vive em condições sub-humanas. O rico Freder se apaixona por Maria, uma profeta dos operários. Mas um cientista maluco faz um robô parecido com Maria que acaba piorando a vida das pessoas.

Acerto: Os robôs agora existem.
Erro: Os operários não existem mais. Ou quase: estão em vias de extinção, substituídos pelos robôs.










Top 3 - 2001 - Uma Odisséia no Espaço (1968) - Stanley Kubrick

 Depois de encontrar um monolito negro na Lua, o governo americano envia uma missão a Júpiter para investigar a existência de vida extraterrestre. O computador que controla a nave, HAL 9000, sai do controle e começa a matar a população.



 
Acertos: Viedofone (iPhone4), computador que sabe conversar (IBMWatson), turismo espacial (Virgin Gallatic).
Erro: A Pan Am , hoje falida, levando turistas ao espaço.

Top 2 - Blade Runner (1982) - Ridley Scott

 Los Angeles, 2019. Quatro androides, os replicantes, buscam seu criador para prolongar a vida, programada para durar 4 anos. Rick Deckard, um Blade Runner - detetive que caça replicantes - é contratado para removê-los (tecnicamente não se pode matá-los, já que não nasceram). A manipulação genética está por toda parte.



Acerto: O grande inchaço das metrópoles.
Erros: A engenharia genética não está tão evoluída. Androides e carros voadores não existem.

Top 1 - De Volta Para o Futuro 2 (1989) - Robert Zemeckis

 Na seqüência do filmes de 1985, Marty McFly dá um pulo no ano de 2015 - uma realidade com TVs de mil canais, carros voadores, tênis autoamarráveis e orelhões futuristas. 








 O sonho de consumo de todo garoto dos anos 80

Acertos: Cinemas wi-max 3D; Táxis que aceitam cartão de débito.
Erros: O fax (lá sobrevive); O skate voador não foi inventado (ainda!); E a inflação do dólar: nada indica que uma Pepsi vá custar US$ 50 até 2015 (ainda!).

Acho que foi legal para o meu primeiro Top Five.

Ricard Wolney

sexta-feira, 26 de agosto de 2011

Capitão América - O Primeiro Vingador

Último filme antecessor do tão esperado Os Vingadores, Capitão América é justamente isso, uma espera para outro filme. Durante todo o tempo tive a impressão de todo mundo estar correndo em direção ao fim do filme, uma corrida que deixa a história pessoal do franzino Steve Rogers meio de lado.
De qualquer modo a história não chega a ser mal contada, e a qualidade visual, mesmo em 2D é magnífica. A fotografia define a época e o clima de guerra instalado, e os cenários, especialmente os de guerra, são bastante realistas.
As atuações também não ficam atrás. Chris Evans está irreconhecível do seu outro herói, o exibido Johnny Storm (Quarteto Fantástico), e Hugo Weaving, já habituado aos papéis de vilão dá um show de maldade (e de feiura, vale salientar).
Muita força de vontade um asmático desse tamanho querer se alistar
A trama conta o nascimento do Capitão América, as inúmeras tentavivas de Rogers para se alistar no exército - em tempo de guerra, a propaganda militarista fazia a cabeça dos jovens - e seu ingresso no programa de super soldados. Com a morte do Doutor Erskine (Stanley Tucci, com um sotaque irritante) Rogers parte em busca do Caveira Vermelha, outro lunático que quer dominar o mundo (eles nunca aprendem?). Steve Rogers enfrenta ainda muitas etapas, até se tornar o Capitão América. Mas quando essa transformação acontece, não tem pra ninguém!
Pode parecer o demônio, mas é o Hugo Weaving
Muito criativa a "adaptação" da famosa primeira capa dos quadrinhos do Capitão América, onde ele aparece socando Hitler, para as telas. Esse é um ponto interessante, por que à época dos quadrinhos, o herói foi criado para insuflar o orgulho americano, em baixa devido à guerra. No filme essa "propaganda patriótica" é quase debochada, e isso na minha opinião deu mais crédito ao filme, devido ao desprendimento dos produtores em relação à isso. Essas cenas, dão o teor divertido do filme, em contraponto com o clima pesado da guerra.
Que geringonça é essa, hein?
Por último tenho que comentar a aparição de praxe do agente Nick Fury - Samuel L. Jackson aumentando um pouquinho mais sua já quilométrica filmografia, e os créditos finais. Um belo trabalho da equipe de arte imitando traços típicos dos cartazes publicitários da época, que muita gente não viu porque saiu da sala (tsc tsc). Quem fez isso acabou perdendo também uma cena relativamente longa (para o perfil de cenas pós-créditos) de Os Vingadores. Só pra nos enlouquecer um pouquinho.
Larissa Ludiana

quarta-feira, 24 de agosto de 2011

Lixo Extraordinário

*Postagem original em 31/03/2011.

Tem-se a impressão, às vezes, de que o cinema só se interessa pela parte ruim do Brasil. Os filmes brasileiros mais vistos ou premiados (ou os dois) normalmente tratam de problemas seriíssimos do nosso país. Se olharmos apenas para a última década, por exemplo, veremos que a tragédia do povo brasileiro é a matéria-prima para grandes filmes, como Abril Despedaçado, Cidade de Deus, O Céu de Suely, Tropa de Elite. Já o documentário Lixo Extraordinário, de Lucy Walker, apresenta essa característica de uma maneira diferente, pois pretende mostrar que da miséria pode surgir beleza.

É bom lembrar que a produção é anglo-brasileira e que o título original do filme, em inglês, é Waste Land, algo como Terra do Desperdício, o que sugere certa negatividade se compararmos ao título em português. É bom lembrar também que a produção foi indicada ao Oscar na categoria de melhor documentário, mas como um filme inglês, e não brasileiro ou sequer anglo-brasileiro – embora a O2 Filmes, produtora da qual Fernando Meireles (de Cidade de Deus) é um dos diretores, seja co-produtora.

Mas, deixando de lado essas questões, o resultado é uma grande obra, pois cumpre seu papel conscientizador ao mesmo tempo em que apresenta o processo criativo de Vik Muniz, um grande artista plástico brasileiro. Radicado em Nova Iorque, ele decide produzir novas obras a partir de materiais recolhidos pelos catadores do maior aterro sanitário da América Latina, o Jardim Gramacho, localizado no Rio de Janeiro, mais precisamente na cidade de Duque de Caxias. A partir dessa idéia, ele entrevista os catadores e escolhe alguns para servirem de modelo para as novas obras. Ao longo desse processo, é contado um pouco da vida de cada uma dessas pessoas que sobrevivem do lixo que recolhem.

Além da montagem das obras, tem destaque o tema da sustentabilidade. Segundo estatística apresentada por um dos catadores, metade do material que chega ao aterro poderia ser reaproveitado, o que equivaleria ao lixo produzido por uma cidade de 400 mil habitantes, por exemplo Macapá. É também apresentada a condição de vida de alguns dos personagens das obras, que não são nada saudáveis. Muitos vivem em sub-moradias e apresentam histórias de vida assustadoras para nós, produtores do lixo que os sustenta.

É talvez nesse momento o ponto fraco do filme, pois apela para uma emoção exagerada, sentimentalizando uma obra que, por definição, deveria ser impessoal, pois tem a função de informar. Além disso, há algumas cenas dramatizadas – como quando Vik Muniz aparece inquieto depois de realizar a obra – e diálogos que soam forçados – principalmente entre o artista e sua esposa.

Nada disso, porém, macula de forma definitiva esta grande produção – que é conduzida por uma excelente trilha sonora executada pelo cantor e DJ Moby –, pois nos alerta para um problema tão sério como o do lixo produzido pelo consumismo desenfreado de nossa sociedade; e nos encanta com obras de arte produzidas a partir desse mesmo lixo, mostrando que o Brasil também pode mostrar algo de bom no cinema, mesmo que seja a partir da miséria de seu povo.

Filipe Teixeira